Candidatos procuram "faculdades" para se aprofundar em disciplinas

Publicado: 28/12/2010 em Uncategorized

Senado Federal, Previc, Superior Tribunal Militar. Não tem jeito. É só saírem editais de concursos de grande porte que milhares de pessoas correm para se matricular em cursinhos preparatórios. São apenas três meses de preparação intensa, em que os professores praticamente despejam as informações no quadro e os alunos tentam absorver tudo sem tempo para questionamentos. Não seria ótimo ter um curso maior, mais aprofundado, em que o aluno realmente assimilasse os conhecimentos e se sentisse preparado para qualquer prova? Que tal uma faculdade de concursos?

Oferecendo maior tempo para os estudos e consequentemente dando oportunidades de maior aprofundamento no conteúdo, as faculdades de concursos são mais uma opção para quem deseja ser servidor público atualmente. Elas têm duração média de nove meses e o objetivo é preparar o concurseiro para qualquer prova com o ensino das matérias básicas presentes nos editais de praticamente todos os certames.
São dois semestres com aulas de Gramática, Redação, Raciocínio Lógico, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Penal e Informática, entre outras disciplinas. As aulas, entretanto, não valem como uma certificação de graduação. “O curso possui esse nome porque é ministrado em um período de tempo maior do que os cursinhos preparatórios direcionados a apenas um concurso, além de possuir grade fechada. Apesar disso, não é reconhecido pelo Ministério da Educação como um curso superior”, explica Ivana Carvalho, coordenadora de uma faculdade de concursos em Brasília há cinco anos.
A concurseira Vanessa Djanira Araújo, de 30 anos, garante a eficácia da modalidade. “Antes eu fazia cursinhos preparatórios específicos e nunca me senti tão preparada como agora”, confessa. Para dar conta das disciplinas específicas dos dois certames em que está inscrita, a estudante montou uma rotina de estudos paralela em casa, mas não sente dificuldades. “Fazendo esta faculdade entendemos o processo de evolução de cada matéria; é um conhecimento mais profundo, que não é dado em tópicos – como nos cursinhos. Desta maneira, nossa visão sobre o conteúdo é ampliada e consequentemente temos mais facilidade e segurança para fazer as avaliações”.
Da mesma maneira pensa a jornalista Sulaní Maciel, de 29 anos, que se surpreendeu com a novidade. “Trabalhei muitos anos no mercado de trabalho privado. A rotatividade, os salários baixos e a carga horária me fizeram começar a estudar para concursos, mas os cursinhos preparatórios nunca me deram o retorno que estou tendo agora”, desabafa. Apesar de ser um curso mais caro, Sulaní agora consegue melhores colocações nas seleções em que é candidata. “É gratificante olhar os editais e saber que você já domina mais da metade do conteúdo programático”, enfatiza.
As diferenças entre a faculdade de concursos e os cursinhos direcionados também são sentidas no dia-a-dia das aulas. De acordo com o professor de Português Márcio Wesley, fazer um curso prolongado demonstra uma maior maturidade do concurseiro que realmente quer atingir o objetivo de ser um servidor: “Os alunos sem dúvida mostram mais interesse na sala de aula e se vêem com maior liberdade para perguntar e interagir mais com as possibilidades de interpretação do conteúdo. É uma formação mais sólida de aprendizado. Com o tempo é quase certo que eles vão passar em vários concursos”.

Concurseiro prematuro

A vontade de passar em um concurso às vezes é tão forte que está cada vez mais comum as pessoas se formarem no ensino médio, pularem a etapa da faculdade e irem direto para os estudos direcionados às seleções públicas. “Todos têm a ilusão de que o certo é ir do ensino médio para o superior, mas quando você termina sua graduação e vê que o mercado privado não é o ideal, você estuda para concursos e não aproveita quase nada do que viu na faculdade. Muitas vezes é uma perda de tempo”, acrescenta a estudante Vanessa.
A concurseira Sulaní também concorda: “Na minha turma da faculdade de concursos estudo com administradores, jornalistas, psicólogos, físicos, advogados, engenheiros. Todos eles são formados, com uma média de 25 anos, e mesmo assim viram a necessidade de fazer o curso para concorrer a uma vaga no serviço público”.
Segundo o professor de Matemática Roberto Vasconcelos, “se a pessoa decide ser servidora e necessita mais cedo de uma estabilidade financeira – e consequentemente emocional -, é recomendável que se faça uma faculdade de concursos logo após o ensino médio. A única ressalva é que tais pessoas só poderão concorrer às vagas destinadas a esse nível escolar”.
Já para o professor Márcio Wesley, partir dos bancos de escola direto para os de cursinhos não significa abandonar completamente a ideia de uma graduação. “A maior vantagem de ir direto do ensino médio para o curso preparatório é que você pode usar seu salário de servidor para pagar uma faculdade quando passar em um concurso, sem falar que existem órgãos públicos que incentivam os funcionários a continuar seus estudos – concedendo bolsas e flexibilizando o horário de trabalho”, finaliza.

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